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Diminuiu o número de animais usados para fins científicos na União Europeia

Diminuiu o número de animais usados para fins científicos na União Europeia

Em Portugal foram utilizados 77.255 animais em 2023, nomeadamente ratinhos, peixes e ratos.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Teruhiko Wakayama - Handout via Reuters

Em 2023 foram usados 6.419.916 animais para investigação científica, médica e veterinária pelos países da União Europeia, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior. Os dados divulgados na terça-feira pela Comissão Europeia revelam que os ratinhos, peixes ou coelhos continuam a ser os mais utilizados.

Sem a investigação com animais, os avanços feitos em 2023 “no desenvolvimento de vacinas e em descobertas no tratamento do AVC e das lesões na medula espinhal não teriam sido possíveis”, frisou o diretor-executivo da Associação Europeia de Investigação Animal (EARA), Kirk Leech.

Nesse ano, 95,4% do total de animais utilizados para investigação foram ratinhos, peixes, ratos, coelhos e aves, enquanto cães, gatos e macacos representaram 0,22%. Os três países da UE que mais utilizaram animais em 2023 foram a França (23,2%), a Alemanha (18,4%) e a Espanha (16,8%), à semelhança do que aconteceu no ano anterior.

Em Portugal foram utilizados 77.255 animais em 2023, em comparação com 79.021 em 2022. Deste número, 57,5% foram ratinhos e 37,9% peixes, enquanto os ratos representaram 4,22%. Cães, gatos e primatas corresponderam a 0% do total, pois não foram utilizados em Portugal em 2023.

Entre os avanços alcançados nesse ano na UE com a ajuda de animais a EARA destaca o desenvolvimento de um spray nasal capaz de ajudar a reparar lesões cerebrais causadas por acidentes vasculares cerebrais e que foi testado em ratos.

Foi também desenvolvida com sucesso uma terapia genética que permitiu a ratos com lesões na medula espinhal recuperar a sensibilidade nas patas.

A EARA lembra que, também em 2023, o Prémio Nobel da Medicina foi atribuído a dois investigadores “cujo trabalho pioneiro usou ratinhos para desenvolver vacinas de ARN mensageiro (mRNA) contra a covid-19”.Maioria dos medicamentos passa por investigação com animais
Segundo os dados europeus, cerca de 41% dos animais foram utilizados na União Europeia para investigação básica (que visa ampliar o conhecimento sem fins práticos imediatos) e 30,5% foram usados na investigação translacional (aplicação prática de investigação científica).

Outros 15,8% das utilizações de animais destinaram-se a fins regulamentares e 6,5% à produção de rotina.

A maioria dos medicamentos de que dispomos atualmente provém da investigação com animais. Os animais são utilizados em conjunto com várias outras técnicas, tais como culturas celulares, estudos em humanos e modelos computacionais”, refere a EARA em comunicado.

Estes métodos são utilizados, frequentemente em conjunto, “para responder às questões biológicas fundamentais necessárias para compreender e tratar doenças”, acrescenta.

Antes de um modelo animal ser selecionado, os investigadores devem demonstrar que o conhecimento não poderia ser adquirido utilizando métodos que não envolvam animais.
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